Dicas para Estratégia das Marcas

Marcas que assumem posições na política

Vivemos dias difíceis na política e na economia. Os ânimos inflamados despejam opiniões agressivas nas redes sociais. Facebook e Twitter viram palcos como a Ágora da Grécia antiga, aonde cidadãos comuns ganham espaço para falar o que pensam. E as marcas, de olho nas discussões da sociedade, pegam carona para tentar surfar a onda do momento. Mas, será que assumir uma posição e associar a sua imagem à política é realmente saudável?

Marisa, Havan e Habibs são algumas das marcas que tomaram partido e se posicionaram com relação aos últimos acontecimentos políticos. De forma mais enfática, o Habibs fez uma verdadeira campanha nas redes sociais. Porém, assim que assumiu sua posição contra o governo e convocou os brasileiros a lutarem contra a corrupção, começaram a surgir notícias da marca envolvida com fraude fiscal. E essa é a primeira lição que tiramos daqui: não atira pedra no vizinho quem tem telhado de vidro. Sem entrar no mérito da idoneidade do Habibs é preciso estar preparado para ter sua reputação esmiuçada por aqueles que não concordam com a sua posição.

Já a Marisa, aproveitando-se da coincidência com o nome da ex primeira dama, pegou carona no depoimento do ex-presidente Lula à Lava Jato e criou um post para o Dia das Mães. A marca fez referência indireta à Dona Marisa indicando que a culpa não era dela. Nas redes sociais as manifestações contra e a favor se dividiram, o que nos mostra mais uma lição: ao assumir uma posição em debates muito polarizados como a política a marca sempre vai desagradar algum dos lados. É preciso levar em consideração a imagem construída e quem é o consumidor dos seus produtos até para não assumir um discurso totalmente diferente do que a marca prega. Para marcas que ainda não estão estabelecidas no mercado e estão trabalhando na construção ou fortalecimento de um posicionamento deve-se ter redobrado cuidado para não assumir um discurso diferente do que se vem estabelecendo.

Campanha promocional da Havan.

A Havan, por sua vez, para mostrar apoio à Lava Jato, saiu com um post de promoção das lavadoras de alta pressão. Nesse caso, a marca pode parecer oportunista aproveitando-se de uma situação crítica do país para vender.

Fato é que ações como essas sempre vão despertar reações ambíguas. Os que apoiam aplaudirão e sairão na defesa, compartilhando posts e fazendo declarações de suporte. Já os que estão no outro lado, partirão para o ataque prometendo boicotar a marca. Mas o que vemos é que, geralmente, ações pontuais pouco impactam nas vendas, tendo uma função mais de buzz.

As marcas precisam se posicionar em relação aos temas debatidos pela sociedade. É verdade que nem todos irão concordar e algumas vendas poderão ser perdidas, mas as marcas não são criadas para todos, e sim para aqueles que se identificam com elas. Porém, é preciso avaliar com critério quais temáticas corroboram para a construção do seu posicionamento e escolher aquelas que ajudam a construir a imagem que se quer passar. E, num mundo tão controverso quanto a política, assumir um partido pode ser arriscado demais.

 

Comentários (2):

  1. bitcoins

    29 de março de 2018 em 10:39

    Porque é tão dificil encontrar bons sites como este aqui. Conteudo de muito valor. Parabens pelo site. Abraço e sucesso

    Responder
    • Ana Paula Tabor Druszcz

      31 de março de 2018 em 17:13

      Obrigada pelo feedback 🙂

      Responder

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